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Fissuras e Fracturas Dentárias

 

Apesar de se tratarem de estruturas extremamente duras, os dentes podem apresentar fissuras ou até mesmo fracturas, mesmo quando não existe fragilização da estrutura por cárie dentária ou outro motivo aparente. 

 

Fig.1: Esquema representativo do interior do dente

 

Como é que posso saber se tenho um dente fissurado?

 

Os dentes fissurados podem apresentar uma série de sintomas que podem ser: A dor durante a mastigação, que geralmente se manifesta no momento em que a força de mordida é aliviada, ou então: Dor quando o dente é exposto a temperaturas extremas.

Este tipo de sintomas são muitas vezes dificéis de observar pelo Médico Dentista, dificultando o diagnostico de qual o dente que está na origem do desconforto.

 

Porque é que um dente fissurado dói?

 

Para perceber  a causa da dor, é importante ter alguns conhecimentos base sobre a anatomia dos dentes. O dente é constituído por uma camada externa de revestimento mais dura denominada por esmalte dentário, uma camada subsequente constituída por pequenos túbulos hidratados conhecida por dentina e uma camada interna de tecido mole, onde se encontra a vascularização e enervação do dente e a que chamamos de polpa.

Quando existe uma fissura da parte mais externa, que abrange o esmalte e a dentina, a mastigação pode provocar  movimentação numa dada porção do dente que é transmitida até à polpa, podendo provocar irritação da mesma com manifestação de dor momentânea. A irritação da polpa pode repetir-se inúmeras vezes devido à mastigação, até chegar a um ponto em que esta deixa de conseguir recuperar o seu estado normal ficando sensível também às variações de temperatura. Com o tempo acabarão por surgir dores espontâneas e consequentemente  infecção do tecido pulpar.

 

Como devem ser tratados estes dentes?


O tratamento destes dentes depende da localização, extensão e profundidade da fissure.

 

Fissuras de Esmalte:


Como o próprio nome indica, são pequenas fissuras localizadas apenas na camada do esmalte. Estas fissuras são comuns no dente do adulto, não provocam qualquer sintomatologia , sendo quase imperceptíveis, é apenas visível uma linha muito fina. Não são motivo de preocupação. 

Quando as fissuras são mais profundas, abrangendo  outras camadas do dente, considera-se já como uma fractura dentária.

 

 

Fractura de cúspide:

 

Fig.2: Esquema representativo de fractura de uma cúspide

Quando há fragilização de uma cúspide (parte pontiaguda da superfície de mastigação do dente) pode ocorrer uma fractura dessa estrutura. Mesmo que não ocorra separação imediata da porção fracturada, esta terá que ser removida pelo dentista. Regra geral, quando se remove o fragmento, há um alívio da sintomatologia.

Este tipo de fracturas normalmente não afecta a polpa do dente e o tratamento passa por reconstruir a porção perdida. 

 

 

Dente Fracturado Verticalmente:

 

                             Fig.3     Dente não tratável        Dente com possibilidade de tratamento

 

 

Este tipo de fractura extende-se desde a superficie oclusal que mastiga em sentido vertical em direcção à raíz do dente. Não ocorre divisão do dente em dois segmentos separados. Muitas vezes, pela própria localização da fractura ocorre dano da polpa.

O tratamento pode ser o recobrimento de dente com uma coroa que irá promover a união dos segmentos. Nos casos em que existe comprometimento pulpar o tratamento também deve incluir a desvitalização do dente.

Existem alguns casos, em que as fracturas se extendem até à raíz, já a um nível ósseo e nestes casos a única opção terapêutica é a extracção do dente para prevenir futuras infecções.

 

 

Fractura Completa:

 

Fig.4: esquema representativo de uma fractura completa

Este tipo de situação clínica é normalmente o resultado do decorrer do tempo quando já existe uma fractura vertical. É a situação mais extrema em que ocorre mesmo a separação do dente em dois fragmentos.

A opção terapêutica nestes casos é a extracção do dente, salvo raras excepções em que a raiz não é atingida.

 

 

Depois de tratado, um dente fracturado fica completamente recuperado?

 

Ao contrário do que acontece com as fracturas osséas, as fracturas dentárias não cicatrizam e podem agravar-se, no caso de aumentarem de extensão e provocarem a perda do dente. A máxima protecção de um dente fracturado é a colocação de uma coroa mas que mesmo assim obriga à monitorização do dente ao longo do tempo para se controlar a evolução.

Regra geral, os dentes tratados mantêm-se assintomáticos e garantem uma mastigação normal, sem qualquer tipo de restrição.

 

 

O que podemos fazer para prevenir fracturas?


Apesar de ser uma situação difícil de prevenir, é possível adopter alguns comportamentos mais conservadores, como por exemplo:

-     Não ter o vício de morder ou roer objectos duros,

-     No caso de ranger os dentes durante a noite, utilizer uma goteira de relaxamento,

-     Usar dispositivos de protecção no caso de practicar desportos com risco de traumatismo aumentado.

 

Em caso de suspeita, consulte de imediato o seu Médico Dentista, uma vez que, a identificação precoce da fissura ou fractura favorece o prognóstico do tratamento e do dente.

 

 

 

Dr. Carlos Morais

(Departamento de Endodontia da Clínica White)