Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Linha White

ENDODONTIA - Parte 2/2

 

 

(Continuação do Post Anterior)

 

 

 

Sequência radiográfica de um tratamento endodôntico:

             

 

  

  Uma vez terminada a fase de limpeza do conteúdo pulpar, passamos à fase de preenchimento estanque desse espaço “vazio” que se criou dentro do dente. Esse preenchimento é efectuado com materiais biocompatíveis (não tóxicos para o organismo), que vão permitir a manutenção a longo prazo da estanquecidade do interior do dente.

 

 

 

Após finalização do tratamento endodôntico, resta reconstruir o dente, através da utilização de materiais de restauração como o amálgama dentário, a resina composta ou a cerâmica. É de realçar que um dente desvitalizado tem uma maior fragilidade do que um dente vivo, sobretudo devido ao facto de ter sido removida a polpa dentária, que ocupa uma parte importante da estrutura dentária, e de ter sido efectuada uma cavidade de acesso à polpa. É, igualmente, menos mineralizado do que um dente íntegro, devido à ausência da polpa, que permite uma remineralização constante do dente. Podemos dizer que um dente desvitalizado se assemelha a um ramo de árvore seco, mais “quebradiço” do que um ramo de árvore normal. Assim sendo, a reconstrução ideal é efectuada através da colocação de um espigão intraradicular em carbono e de uma coroa fixa cerâmica ou metalo-cerâmica, que não só protege o dente remanescente, como restabelece a estética e função do mesmo.

 

O prognóstico de um dente correctamente desvitalizado e reconstruído é extremamente favorável, e a sua manutenção é sempre preferível à extracção. Lembre-se: o que a Natureza cria, o Homem imita, mas nunca com a mesma perfeição. Assim, o seu próprio dente, desvitalizado ou não, é o melhor implante dentário que alguma vez poderá ter.

  

Abaixo observamos o resultado de um correcto tratamento endodôntico. Na primeira imagem observamos um dente com uma grande lesão periapical (a área escura à volta da raiz). Após o tratamento endodôntico, numa reavaliação após 6 meses, observa-se a completa regressão dessa mesma lesão (a área escura em torno da raiz desapareceu completamente).

 

 

 

  Todos os dentes cariados ou destruídos podem ser desvitalizados?

Não. Existem critérios básicos que devem ser cumpridos para optar pela desvitalização ao invés da extracção de um dente. Em algumas situações mais extremas, como uma fractura vertical da raiz ou cáries radiculares muito profundas, poderá não ser viável realizar a desvitalização, e poderemos ter de optar pela extracção do dente. Só poderemos desvitalizar dentes que permitam uma posterior reconstrução, o que deverá ser avaliado previamente ao tratamento.

  

Radiografias de alguns dentes “irrecuperáveis” do ponto de vista endodôntico:

          

 

    

Todos os dentes cariados devem ser desvitalizados?

Não. Tudo depende do grau de agressão à polpa dentária que se verificar. Cáries pouco profundas, que ainda se localizam a vários milímetros da polpa dentária podem não causar uma agressão irreversível e não “obrigar” a tratamento endodontico. Nestes casos realizamos uma restauração simples do dente (o caso das radiografias abaixo reproduzidas).

   

 

 

A desvitalização de um dente é um processo doloroso?

Não. Se forem seguidas as regras básicas de anestesia local e de endodontia, não existe qualquer razão para sentir dor durante o tratamento.

 

Uma correcta desvitalização é fácil de executar?

Depende do dente a tratar, do operador que a executar e dos materiais e condições com que o fizermos. Uma vez que trabalhamos no interior da raiz do dente, a visibilidade por vezes será bastante difícil (obrigando, em certos casos, a recorrer ao uso de microscópio). O trajecto dos canais radiculares é, também, muitas vezes tortuoso, com curvas e contracurvas, sendo difícil limpar todo o seu conteúdo até à ponta da raiz. Uma desvitalização correcta deverá preencher completamente todo o comprimento dos canais radiculares (que poderão chegar a ser 7, dependendo do dente em questão).

                           

 

 

 

Na imagem da esquerda observamos um tratamento endodôntico incompleto, sem o preenchimento de todo o comprimento dos canais. Na imagem da direita observamos o mesmo dente, após correcta desvitalização, com o completo preenchimento dos canais radiculares.

 

   

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.