Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Linha White

Medo de ir ao dentista

Tem medo de ir ao dentista? Adia consequentemente as suas consultas? Descura a sua saúde oral? Sente a sua saúde oral prejudicada devido ao medo que tem? Se sim, procure ajuda. Em poucas sessões de psicologia poderá perder o seu medo e verá que ir ao dentista não é assim tão desagradável!

 

 

Sabia que...

Estudos internacionais apontam para uma prevalência de 5 a 15% de ansiedade dentaria elevada. Alguns estudos afirmam que 6% da população mundial evita a consulta de medicina dentária, recorrendo a tratamentos apenas após o aparecimento de sintomas, resultando estes comportamentos, numa severa deterioração da saúde oral.

 

O medo intenso é experienciado com grande angustia e sofrimento mas por outro lado é uma emoção necessária e adaptativa, sendo mesmo crucial para a nossa sobrevivência, uma vez que é o medo que nos faz evitar perigos dando sinal ao cérebro e este por sua vez ao corpo de que iremos ter que responder ao estimulo que lhe está associado, por sinal perigoso. Essa resposta pode ser a fuga ou a luta.

Apesar da nossa capacidade de experienciar o medo ser uma função biológica inata, as nossas respostas a determinados objectos são adquiridas através da aprendizagem diária, assim como as sensações que temos.

O desenvolvimento de respostas de medo a situações potencialmente ameaçadoras é normal, natural e adaptativo, no entanto, a aquisição destas mesmas respostas a ameaças percepcionadas podem acontecer de uma forma aparentemente irracional e desproporcionada em relação à ameaça real. Esta reacção resulta da percepção pessoal da situação, baseada em experiencias passada e na interpretação da situação presente.

 

É o que acontece na fobia dentária que é denominada como uma fobia especifica aos tratamentos dentários, habitualmente desencadeada por acontecimentos traumáticos que tendem a ter um desenvolvimento particularmente agudo.

Uma fobia especifica é caracterizada pela presença de medo acentuado e persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de um objecto ou situação especifica. A exposição ao estimulo fóbico provoca quase invariavelmente uma resposta ansiosa imediata. A pessoa reconhece que o medo é excessivo, no entanto não tem controlo sobre suas reacções. As situações fóbicas são evitadas com intensa ansiedade e mal-estar, interferindo significativamente com as suas rotinas normais e funcionamento diário. O evitamento é a consequência mais complicada pelo impacto que tem na vida das pessoas e na sua liberdade individual.

A fobia é acompanhada por pensamentos catastróficos ou de incompetência pessoal, aumento do estado de vigília, tensão muscular, palpitações cardíacas, tremor, inquietação, assim como uma variedade de desconfortos somáticos decorrentes da hiperactividade do sistema nervoso autónomo.

 

 

Como é que a Psicologia o pode ajudar?

 

EMDR para fobias

 

EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) foi desenvolvido por Francine Shapiro em 1989. É um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas através da estimulação bilateral do cérebro (ocular, auditiva ou por toque), que promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.

Quando surge uma situação traumática, pode ficar bloqueada no sistema nervoso com a recordação original, com os sons, os pensamentos, as emoções do passado e as sensações físicas. A terapia EMDR ajuda a desbloquear o sistema nervoso permitindo que o cérebro processe a experiencia traumática. É um processo semelhante ao que se passa quando sonhamos na chamada fase REM do sono, durante a qual movimentos oculares rápidos facilitam o processamento do material inconsciente.

O EMDR tem sido indicado nos últimos anos como tratamento para alguns problemas de ansiedade e várias fobias. Muitos casos têm demonstrado a sua eficácia em apenas duas ou três sessões no tratamento de fobias especificas com componente traumática. A vantagem desta técnica sobre a clássica Terapia Cognitivo Comportamental é a rapidez da sua acção e menor numero de sessões envolvidas.

O método EMDR é baseado na imaginação do estimulo fóbico ou exposição a este mesmo estimulo, acompanhado de movimentos oculares ou outros estímulos bilaterais, tendo uma forte componente cognitiva. Encoraja o paciente a focar-se nas suas sensações físicas e a imaginar a situação traumática. Esta abordagem permite que a pessoa identifique e separe as sensações afectivas do trauma das suas interpretações cognitivas. Desta forma a situação inicialmente perturbadora deixa de estar associada a emoções negativas, surgindo novas interpretações e levando a uma ausência de perturbação face ao estimulo fóbico, em poucas sessões.

 

A sua saúde oral não está perdida! Existe solução! O seu problema pode ser resolvido de forma rápida e duradoura.

  

Catarina de Castro Lopes

Responsável pelo Departamento de Psicologia da White