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Linha White

Perturbação Dismórfica Corporal

Compara frequentemente o seu corpo com o de outras pessoas? Preocupa-se demasiado com a sua aparência? Sente que essa preocupação afecta a sua vida? Sente que perde muito tempo diário a pensar na sua forma física ou com algum aspecto do seu corpo? Evita algumas actividades devido à insatisfação que sente com a sua aparência? Cada vez que se olha ao espelho fica preso a um aspecto que considera “defeituoso”?

 

 

Prevalência de 0,7% a 12% na população

 

Fala-se de Perturbação Dismórfica Corporal quando se verifica uma preocupação excessiva com um “defeito” mínimo ou imaginário na aparência. Por vezes está presente uma ligeira anomalia física mas a preocupação é desproporcional e exagerada. Esta preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida.

As preocupações mais comuns são com a pele, cabelo, nariz, olhos, boca, lábios e queixo, contudo a preocupação é frequentemente focada em várias partes do corpo simultaneamente, sendo que qualquer aspecto corporal poderá ser alvo de preocupação.

As pessoas que sofrem desta perturbação despendem de muitas horas em frente ao espelho a tentar camuflar as imperfeições com uso de roupas, chapéus e maquilhagem excessiva, mas pouco sabem acerca da psicopatologia ou dos factores que mantêm esse comportamento. Habitualmente evitam situações sociais e de intimidade ou apenas enfrentam estes eventos sob o uso de álcool ou substancias psicotrópicas. Mantêm-se em segredo, sofrem em silêncio pois pensam que irão ser vistos como vaidosos, fúteis ou narcisistas, levando muitas vezes ao isolamento.

Esta perturbação surge frequentemente associada à depressão, Fobia Social e Perturbação Obsessivo-Compulsiva, apresentando uma elevada taxa de suicídio.

Muitas pessoas procuram tratamentos estéticos (cirurgias plásticas e tratamentos dermatológicos), mas muitos não chegam a ser realizados por discordância do médico, atendendo a que o defeito era mínimo ou não estava presente.

Diversos estudos mostram que 5 a 15% das pessoas que procuram Cirurgia Plástica tem Perturbação Dismórfica Corporal, no entanto, apesar da procura, outros estudos referem que após cirurgia as pessoas relataram não ter havido mudanças ou mesmo terem piorado as suas preocupações com o defeito percepcionado. Ficaram igualmente ou ainda mais preocupadas e ansiosas. Isto acontece porque muitas pessoas com a perturbação têm expectativas elevadas e irrealistas em relação à cirurgia esperando que o resultado seja perfeito. Outras esperam um resultado que não é ajustado aos padrões de beleza ou seja, aquilo que é desejado e aceite pelos outros ou pela nossa sociedade.

Na White, estamos atentos a esta perturbação e sensibilizados para o facto de estas pessoas não conseguirem atingir a satisfação com as intervenções cirúrgicas e tratamentos, pelo que são sempre tratadas em primeiro lugar através de intervenção psicológica e posteriormente, se apresentarem motivações e expectativas adequadas é que farão os tratamentos estéticos.

 

 

Após serem submetidas a cirurgia plástica, estas pessoas continuam insatisfeitas com o seu corpo

a)Continuam a percepcionar aquela parte do corpo como defeituosa;

b)Ocorre uma transferência da preocupação para outra parte do corpo.

 

 

Como é que a Psicologia pode ajudar?

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem sido apontada como a mais eficaz no tratamento desta perturbação. Foca-se nas crenças e nos comportamentos que mantêm a perturbação. O objectivo é identificar e consequentemente mudar pensamentos distorcidos e irrealistas relativamente à imagem corporal. A terapia pretende explorar comportamentos como observações sistemáticas ao corpo, controlo e o evitamento social. O propósito é ajudar a pessoa a parar estes comportamentos e substitui-los por pensamentos saudáveis. Envolve monitorização da perturbação que a ajudam a perceber o quão excessivos são os seus comportamentos e com que frequência a fazem sentir-se mal. É também confrontada com situações temidas e evitadas, como algumas situações sociais que despoletam pensamentos obsessivos. Através da terapia a percepção negativa do corpo, a ansiedade e o medo devem diminuir e consequentemente os rituais associados também diminuirão. Tem ainda como objectivo parar comportamentos compulsivos, tais como, olhar para o espelho, medir-se, comparar-se com os outros ou outro tipo de comportamentos repetitivos.

É importante que os familiares aprendam sobre a perturbação – O que é, e quais os tratamentos existentes e mais adequados. A família tem um papel preponderante neste processo, podendo ajudar a mudar comportamentos e a evitar rituais.

O plano de tratamento deve ser adaptado às necessidades individuais e à situação de vida. Deve-se basear na severidade dos sintomas da perturbação, na existência de outras perturbações ou problemas e na preferência do paciente.

 

Catarina de Castro Lopes

Diretora Clínica de Psicologia na White