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“Sinto raiva, revolta e uma grande angustia mas acima de tudo muito medo. O medo da morte, da dor e do sofrimento. Como vai ser a minha vida?”
(Paciente com cancro)
O diagnóstico de cancro é um dos mais temidos, sendo uma doença conhecida como potencialmente mortal e que habitualmente tem consequências ao nível do funcionamento biológico, psicológico e social.
O prognostico é muitas vezes incerto e os tratamentos e procedimentos cirúrgicos são habitualmente agressivos expondo as pessoas a alterações no seu corpo (p.e. queda de cabelo, emagrecimento significativo).
Apesar dos avanços da medicina no tratamento do cancro, este diagnostico ainda equivale muitas vezes, a uma “sentença de morte” associada a dor, sofrimento e degradação, provocando sentimentos de incerteza e ansiedade quanto ao futuro e pensamentos recorrentes sobre a morte. A angustia e sofrimento não são apenas vividos pelos pacientes mas também pela sua família que acompanha todo o processo.
Vivemos no corpo a ameaça de perder a vida, é nele que a(s) doença(s) se manifesta(m) mas será que o nosso bem-estar psicológico pode evitar o avanço da doença? Diversos estudos mostram que as pessoas que tiveram apoio psicológico durante o tratamento oncológico melhoraram significativamente a sua qualidade de vida comparando com as que não foram acompanhadas psicologicamente.
As perturbações emocionais prejudicam o bom funcionamento do sistema imunológico causando alterações bioquímicas. As pessoas que têm o chamado “espírito de luta” e que adoptam uma atitude optimista têm maior esperança de vida do que as que reagem com sentimentos de desesperança e desamparo.
Vários estudos mostram que a pessoa que tem acompanhamento psicológico tem uma melhoria do estado geral de saúde, melhor tolerância aos efeitos adversos da terapêutica oncológica e melhor comunicação entre a família e a equipa médica.
Não deixe de lutar pela vida! Procure ajuda neste momento delicado.
Catarina de Castro Lopes
Diretora Clínica de Psicologia na White
