Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linha White

EMDR - Terapia Rápida e Eficaz

A terapia que permite que o cérebro “digira” uma experiencia perturbadora

 

O que é o EMDR?

O EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing) é uma abordagem terapeutica integrativa de processamento de informação que é feita através da estimulação bilateral do cérebro e que promove a comunicação entre os 2 hemisférios cerebrais, associando emoçoes, sensaçoes corporais, cogniçoes e pensamentos.

Uma grande variedade de perturbações é causada por memórias de acontecimentos perturbadores que se encontram fisiologicamente alojadas no cérebro de modo disfuncional. Estas memorias "mal arrumadas" podem causar sofrimento no presente. Este metodo terapêutico ajuda a desbloquear o sistema nervoso e permite que o cérebro processe experiencias perturbadoras. É semelhante ao que se passa  quando sonhamos - na fase REM (Rapid Eye Movement) do sono, durante a qual os movimentos oculares rápidos facilitam o processamento do material inconsciente.

 

Como funciona?

O EMDR ajuda o organismo a integrar construtivamente determinadas memorias, como se convidasse o cérebro a aproveitar a oportunidade de fazer aquilo que sempre faz mas que, por algum motivo, falhou. A informação relevante da memoria é trazida à consciência, de modo a poder ser armazenada de forma adaptativa e adequada.

O paciente concentra-se numa memoria (imagem ou sensação) relacionada com o acontecimento perturbador ou traumático e é associada estimulação bilateral alternada – que consiste em movimentos oculares laterais alternados, com determinado ritmo e duração, habitualmente guiados pela mão do terapeuta ou através do uso de um aparelho para o mesmo efeito, sons alternados, ou toques (tapping) nas mãos ou joelhos. Durante a fase de processamento, o paciente pode distanciar-se do material associado à memoria, deixando fluir o processo e adoptando o papel de observador.

 

Para que casos está indicado?

Este método terapêutico foi desenvolvido por Francine Shapiro, psicóloga americana, com o intuito de tratar os sintomas resultantes da exposição a experiencias traumáticas. Actualmente é também usado para controlo e impulsos, intervenção na dor e para fornecer competências úteis para enfrentar determinadas situações. É, ainda, uma terapia indicada para o tratamento de ansiedade, fobias, perturbações alimentares, perturbações do sono e processos de luto.

 

Existe algum tipo de contra-indicações?

A intervenção é contra-indicada em pacientes com quadros psicóticos ou esquizofrenia, grávidas e pessoas com ideacção suicida. Na Perturbação bipolar, borderline ou outras perturbações da personalidade a terapia so deve ser usada apos a estabilizaçao de aspectos emocionais criticos.

 

Qual a duração da Terapia?

O numero de sessões varia e depende do protocolo utilizado, que deve ser adaptado a cada paciente. A terapia EMDR só termina quando a perturbação face ao acontecimento passado for nula. Não é habitual esta terapia demorar mais do que 6 sessões, tendo cada uma a duração de 60 ou 90 minutos, consoante as necessidades do paciente.

 

É eficaz?

O EMDR tem sido alvo de inúmeros estudos que o comparam com outras terapias no tratamento de várias perturbações, concluindo que esta abordagem pode ser considerada mais eficaz e obter resultados terapêuticos num menor espaço de tempo.

 

 

Catarina de Castro Lopes

Directora Clínica de Psicologia na White

EMDR para Instalação de Recursos

Que recurso ou competência precisa para lidar com uma determinada situação ou com alguma adversidade ou desafio da vida?

Confiança? Tranquilidade? Auto-estima? Segurança? Motivação?

 

Através do EMDR é possível instalar quaisquer recursos que identificar como os mais adequados para lidar melhor com cada situação perturbadora.

Esta forma de utilização do EMDR é feita através de estimulação bilateral do cérebro em que se reforçam estruturas associativas positivas, isto é, aumentamos o positivismo.

A instalação de recursos é feita em apenas uma sessão. Método muito rápido e com surpreendentes resultados. Rapidamente as pessoas sentem-se capazes de lidar de forma diferente (melhor do que a anterior) com a situação perturbadora, sentindo o recurso instalado exactamente como precisam de o sentir.  Sentem-se mais fortes, mais tranquilas, mais confiantes e rapidamente arranjam novas soluções.

 

“Sinto-me tão bem disposto, com tanta força. Como é que isto aconteceu?”

 

É frequente as pessoas estranharem a sensação de subitamente ficarem bem dispostas e tranquilas. Na realidade já têm estes recursos e já recorreram a eles com sucesso em algumas alturas da sua vida mas por algum motivo não estão a conseguir aceder-lhes. O que a instalação de recursos faz é trazer este recurso para a superfície e torná-lo mais acessível para a pessoa. Assim, será mais fácil usá-lo com sucesso.

 

 

 

Catarina de Castro Lopes

Diretora Clínica de Psicologia na White

 

Dr White - Sandra Martins: "A Boca está na mão"

Intervenção Psicológica

 

Para quem viu o último episódio do Dr. White pôde perceber que a Sandra apresentava uma Fobia Especifica a Próteses Dentárias e a objectos em forma de dentes. Foi usado o EMDR para tratamento desta fobia e em 10 sessões a Sandra deixou de ter medo destes objectos, tendo desenvolvido novas interpretações, novas reacções emocionais e comportamentos mais adequados. Com este artigo pode ficar a saber de uma forma detalhada o trabalho psicológico realizado.

 

O que é uma Fobia Específica?

É caracterizada pela presença de medo acentuado e persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de um objecto ou situação especifica. A exposição ao estimulo fóbico provoca quase invariavelmente uma resposta ansiosa imediata. A pessoa reconhece que o medo é excessivo, no entanto não tem controlo sobre suas reacções. As situações fóbicas são evitadas com intensa ansiedade e mal-estar, interferindo significativamente com as rotinas normais da pessoa, funcionamento ocupacional, relacionamentos, actividades sociais ou mal-estar acentuado. O evitamento é a consequência mais complicada pelo impacto que tem na vida das pessoas e sua liberdade individual.
Os primeiros sintomas de Fobia Especifica ocorrem habitualmente na infância ou no inicio da adolescência, podendo ocorrer mais cedo nas mulheres do que nos homens.
Os factores predisponentes para o desencadeamento da fobia incluem muitas vezes acontecimentos traumáticos que tendem a ter um desenvolvimento particularmente agudo.

 

EMDR para Fobias

O EMDR tem sido indicado nos últimos anos como tratamento para alguns problemas de ansiedade, incluindo várias fobias. Muitos casos têm demonstrado a sua eficácia em apenas três ou quatro sessões no tratamento de fobias especificas com componente traumática. A vantagem desta técnica sobre a clássica Terapia Cognitivo Comportamental é a rapidez da sua acção e menor numero de sessões envolvidas.
Têm sido feitos vários estudos com fobias especificas em situações ambientais, em particular fobias de animais, alturas, injecções e medo de andar de avião, através de exposição in vivo. Por exemplo, em fobia de aranhas, as pessoas são expostas ao animal e encorajadas a deixar as aranhas andar pelas suas mãos. As técnicas de exposição têm realmente mostrado eficácia nestes tipo de fobias. Contudo, não têm sido realizados estudos utilizando as técnicas de exposição com fobias que têm em sua génese uma forte componente traumática (acidentes de carro, medo de engasgar, mordidelas de cão, etc.) De facto, as pessoas não podem ser expostas a mordidelas de cobras, a cair de sítios altos ou a acidentes de avião, e é a antecipação destes eventos que torna as situações temíveis. De Jongh (1999) realizou uma pesquisa onde mostra que algumas fobias especificas, como medo de cães, sangue, injecções, ferimentos, falar em publico e fobias dentarias habitualmente têm origem numa experiencia traumática. De Jongh (1999) afirma que este tipo de fobias não respondem bem ao tratamento através da exposição. O mesmo autor trabalhou com pacientes com fobia dentária e verificou que o EMDR é consideravelmente mais eficaz, eficiente e confortável para o paciente do que as técnicas de exposição quando estão envolvidas experiencias traumáticas. Outro estudo realizado por Marcus, Marquis e Sakai (1997) que comparou a terapia EMDR com acompanhamento tradicional (i.e, terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia psicodinâmica, medicação e terapia de grupo) verificaram que os pacientes tratados com EMDR mostraram uma melhoria significativa dos sintomas e duas vezes mais rápida do que o acompanhamento tradicional.
O método EMDR é baseado na imaginação do estimulo fóbico ou exposição a este mesmo estimulo, acompanhado de movimentos oculares ou outros estímulos bilaterais, tendo uma forte componente cognitiva. Encoraja o paciente a focar-se nas suas sensações físicas e a imaginar a situação traumática. Esta abordagem permite que a pessoa identifique e separe as sensações afectivas do trauma das suas interpretações cognitivas.

 

O Caso da Sandra

Sandra, de 42 anos tinha fobia especifica de próteses dentárias desde os 6 anos, desencadeada por algumas experiências traumáticas que teve no passado. A exposição ao objecto ou o simples facto de imaginar a prótese provocava uma resposta de intensa ansiedade – entre outros sintomas os mais evidentes e desconfortáveis eram: sensação de falta de ar, tremores, sudação, choro, rubor facial e aceleração do batimento cardíaco. Este medo era persistente e manifestava-se de uma forma excessiva, desadaptativa e descontrolada provocada pela presença ou antecipação da prótese.

A Sandra tinha consciência que o seu medo era desproporcional e exagerado face à situação, sabia que a prótese era um objecto e que não lhe iria fazer mal, mas mesmo assim não conseguia controlar as suas reacções. Interferia bastante no funcionamento da sua vida, uma vez que evitava alguns encontros sociais nomeadamente jantares e festas, se soubesse previamente que iriam estar presentes pessoas com próteses removíveis, pelo medo antecipatório que a prótese pudesse cair ou mover-se. Evitava ir ao dentista e fugia dos seus irmãos, uma vez que as brincadeiras preferidas eram despertar o medo da Sandra através de objectos em forma de dentaduras e dentes, e mais tarde mesmo com as suas próprias próteses removíveis.
Tudo começou quando tinha 6 anos e viu a mãe a tirar a prótese (removível) para a lavar. O pensamento e interpretação que deu na altura foi: “A boca está na mão,  está no sitio errado”, e depressa surgiram emoções e sensações de nojo, medo e repulsa que a levaram a fugir e a isolar-se no quarto a chorar.
A Sandra sempre teve uma boa relação com a sua mãe e com o resto da sua família. Não se recorda em concreto o que sentiu relativamente à sua mãe na altura mas pensa que terá sido um sentimento de pena “A minha mãe não tem dentes. Precisa usar aquilo”.  No entanto, recorda-se que ficou desde os 6 anos sem falar com a mãe sobre o episódio pois não queria magoá-la uma vez que “a sua boca estava no sitio errado”. Só por volta dos 10 anos (em que viu novamente a prótese) assumiu a sua fobia e contou à mãe, que lhe explicou que era apenas um objecto e que não lhe faria mal, que era um medo “estúpido”. Depois disso os irmãos começaram a gozar com ela e a provocá-la mostrando objectos em forma de dentes e dentaduras que reforçou ainda mais o medo.

 

Intervenção Psicológica

O principal objectivo da Sandra era mudar a sua aparência dentária e a solução era a colocação de uma prótese. Qualquer objecto semelhante a prótese, dentadura, moldes ou em forma de dentes causava resposta de intensa ansiedade. Assim, sentiu-se necessidade de intervir nesta fobia, não só para colocação da prótese dentária mas pela necessidade de executar moldes durante o tratamento.

Foi usado o protocolo de EMDR em que foram reprocessadas situações difíceis do passado, estímulos actuais que provocavam medo e as situações futuras que pudessem constituir um desafio e nas quais a Sandra pudesse vir a estar perante os objectos que lhe provocavam medo.
Foram reprocessados eventos que contribuíram para fobia, a primeira vez que o medo foi experienciado, as experiencias mais perturbadoras, a ultima vez que sentiu medo, associações com o estimulo presente e sensações físicas incluindo hiperventilação.
Saliento que a instalação de recursos e os entrelaçamentos cognitivos (usados a partir da 6ª sessão) foram técnicas poderosas que proporcionaram um grande avanço do processo terapêutico.

 

1ª Sessão

A situação escolhida (recordação original) foi a mãe a lavar as próteses quando a Sandra tinha 6 anos. A imagem escolhida que representa o momento mais difícil foi “a mãe ter a boca na mão”. A cognição negativa (CN), isto é, o que pensava de negativo sobre si mesma face à situação, tinha a ver com possibilidade de escolha/controlo: “Eu sou fraca”. A Sandra gostava de substituir esta CN pela cognição positiva (CP): “Eu sou forte e capaz de ultrapassar este medo estúpido”. As emoções sentidas no momento era o medo, repulsa e nojo. O seu stress que sentia foi avaliado pela Subjective Unit of Distress Scale (SUD), escala que varia de 0 a 10, em que a Sandra atribuiu o valor máximo (10).  As sensações corporais relatadas foram pressão/aperto na boca do estômago, peito (que a impedia de respirar normalmente) e braços, nó na garganta,  tremores, formigueiro braços e pernas, sensação de tendões puxados.
Foi instalado o lugar seguro: No Gerês, no campo em contacto com os animais, que chamava “paraíso”. Assim, pôde entrar em contacto com sensações de calma e tranquilidade.

 

2ª à 5ª Sessão

Depois de completada a fase de preparação e avaliação procedeu-se à dessensibilização. Durante esta fase surgiram vários objectos em forma de dentes e dentaduras, sendo que habitualmente a Sandra “fugia” para o seu lugar seguro (campo rodeado de animais) usando recorrentemente essa estratégia para lidar com memorias perturbadoras que iam surgindo durante o processamento.  Também se recordou de algumas situações que estavam esquecidas, almoços e jantares com amigos, do aniversário da avó em que lhe viu a placa saltar quando soprava as velas do bolo, lembrou-se ainda de num museu de dinossauros ter visto maxilares e dentes.
O que foi peculiar durante o tratamento foi o surgimento de varias “memórias de outras vidas” segundo Sandra, nas quais era uma enfermeira em tempo de guerra que assistiu a torturas altamente violentas em que eram arrancados os maxilares às pessoas e colocados num frasco de vidro. O autor das torturas e vitimas surgiram varias vezes assim como o frasco com os dentes e maxilares. O aparecimento deste material talvez se possa justificar pelo facto da Sandra acreditar em vidas passadas.
Apesar de todo o material que surgiu (“vidas passadas” e “vida actual”), durante estas quatro sessões senti que o processo estava em looping, isto é, que não havia grandes mudanças no processo.

 

6ª Sessão 

Foi feita instalação de recursos a meio da intervenção – recurso escolhido: Ter controlo sobre si e suas emoções. Instalar esta imagem futura de estar perante objecto fóbico acompanhada pelo forte pensamento de ter controlo sobre si própria foi bastante útil e permitiu que a Sandra avançasse bastante o processo. A situação escolhida em que usou com sucesso esse recurso foi: a Sandra a trabalhar no supermercado que lhe trouxe emoções e sensações de orgulho,  profissionalismo, controlo e força.
Nessa mesma sessão a Sandra obteve uma vitória pois durante o processamento começou a ver gomas em forma de dentes a dirigirem-se a si e gritou “vitória!” quando conseguiu comer uma dessas gomas.
Obviamente que todos os entrelaçamentos cognitivos usados também foram bastante úteis durante o processamento e permitiram uma evolução mais rápida, nomeadamente, reforçar que a Sandra era uma criança na altura e perguntar-lhe o que ela pensava sobre a situação enquanto adulta. Outro entrelaçamento cognitivo usado foi pedir que imaginasse por um segundo que era forte e capaz de ultrapassar o seu medo, técnica que foi bastante útil.

 

7ª Sessão

Nesta sessão. como forma de fornecer ferramentas de auto-controlo para lidar com o medo foi usada a técnica Light Stream. Pedi à Sandra que atribuísse uma forma, tamanho, cor, temperatura, textura e som às sensações e tensões que lhe percorriam todo o corpo. Rapidamente a Sandra chegou à conclusão que se tratava de uma luz quente, inflamável de cor vermelha que lhe percorria todo o corpo e atribuiu o nome de vírus. Depois perguntei-lhe o que podia combater esse vírus, que cor teria, forma, textura ao que a Sandra respondeu que tinha uma luz branca, agradável em forma de circulo, flexível e forte ao que chamou de antibiótico.

Durante o processamento o antibiótico começou a ganhar cada vez mais poder e a combater o vírus, até que Sandra gritou “Yes! Antibiótico venceu o vírus!”

 

8ª Sessão

As emoções que surgiram quando se recordou da situação foi de pena da mãe porque não tem dentes naturais, referindo que já não a perturbava quase nada. O SUD, isto é, a perturbação face à situação era 2 (numa escala de 0 a 10) e no corpo sentia apenas um formigueiro.

Pedi que a Sandra visualizasse a sequência de eventos ao longo do tempo e espaço como se de um filme se tratasse.
O SUD ficou igual a zero e assim avançamos para a instalação.

 

9ª Sessão

Foram trabalhados cenários futuros – ver alguém com uma prótese, irmão a brincar com ela, cair a prótese a alguém durante o jantar, fazer moldes para tratamento dentário, colocarem uma prótese em boca. Desta forma, foi instalada CP (cognição positiva) até que VOC=7, isto é, sentia as palavras "Eu sou forte e capaz de ultrapassar este medo estúpido" como totalmente verdadeiras, numa escala de 1 a 7.

 

10ª Sessão
A Sandra parecia já preparada a confrontar a situação in vivo. Quando lhe pedia que imaginasse uma prótese o seu nível de stress (SUD) era igual a 0, não surgia qualquer sensação ou emoção desconfortável. Nesta ultima sessão, numa primeira fase começou por observar a prótese e continuou sem sentir qualquer desconforto e depois pediu para pegar na prótese, ficando com ela na mão e continuando com SUD = 0.

 

Em 10 sessões de EMDR a Sandra perdeu o medo das próteses. Actualmente, já consegue visualizar e até pegar em dentaduras, próteses e objectos em forma de dentes sem apresentar qualquer resposta de ansiedade ou medo, tendo completado o seu tratamento dentário com sucesso na White.

Foi feito follow-up passados 4 meses e o resultado no nosso trabalho mantem-se, a Sandra não sente nenhuma ansiedade ou medo face a estes objectos.

 

Nota: Este artigo foi escrito com consentimento da Sandra e publicado após sua aprovação.

 

Catarina de Castro Lopes

Diretora Clínica de Psicologia na White

EMDR - Eye Movement Desensitization and Reprocessing

O que é o EMDR?

 

É um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas através da estimulação bilateral do cérebro, que promove a comunicação entre os 2 hemisférios cerebrais.

 

Uma grande variedade de perturbações é causada por memórias de acontecimentos perturbadores que se encontram fisiologicamente alojadas no cérebro de modo disfuncional. Estas memorias "mal arrumadas" podem causar sofrimento no presente.

 

Quando surge uma situação traumática, pode ficar bloqueada no sistema nervoso com a recordação original, com os sons, os pensamentos, as emoções do passado e as sensações físicas.

A terapia EMDR ajuda a desbloquear o sistema nervoso e permite que o cérebro processe a experiencia traumática. É um processo semelhante ao que se passa quando sonhamos (a chamada fase REM do sono) durante a qual os movimentos oculares rápidos facilitam o processamento do material inconsciente.

É importante salientar que é o paciente que activa o processo de cura e que mantém o controlo exclusivo deste processo.

 

É um poderoso e surpreendente método terapêutico, pois em pouco tempo, criam-se novas interpretações, novas reacções emocionais e novos comportamentos. Muito rapidamente os sintomas de que as pessoas se queixam desaparecem, o sono estabiliza e as dores extinguem-se.

 

Catarina de Castro Lopes

Diretora Clínica do Departamento de Psicologia na White

 

 

 

Medo de ir ao dentista

Tem medo de ir ao dentista? Adia consequentemente as suas consultas? Descura a sua saúde oral? Sente a sua saúde oral prejudicada devido ao medo que tem? Se sim, procure ajuda. Em poucas sessões de psicologia poderá perder o seu medo e verá que ir ao dentista não é assim tão desagradável!

 

 

Sabia que...

Estudos internacionais apontam para uma prevalência de 5 a 15% de ansiedade dentaria elevada. Alguns estudos afirmam que 6% da população mundial evita a consulta de medicina dentária, recorrendo a tratamentos apenas após o aparecimento de sintomas, resultando estes comportamentos, numa severa deterioração da saúde oral.

 

O medo intenso é experienciado com grande angustia e sofrimento mas por outro lado é uma emoção necessária e adaptativa, sendo mesmo crucial para a nossa sobrevivência, uma vez que é o medo que nos faz evitar perigos dando sinal ao cérebro e este por sua vez ao corpo de que iremos ter que responder ao estimulo que lhe está associado, por sinal perigoso. Essa resposta pode ser a fuga ou a luta.

Apesar da nossa capacidade de experienciar o medo ser uma função biológica inata, as nossas respostas a determinados objectos são adquiridas através da aprendizagem diária, assim como as sensações que temos.

O desenvolvimento de respostas de medo a situações potencialmente ameaçadoras é normal, natural e adaptativo, no entanto, a aquisição destas mesmas respostas a ameaças percepcionadas podem acontecer de uma forma aparentemente irracional e desproporcionada em relação à ameaça real. Esta reacção resulta da percepção pessoal da situação, baseada em experiencias passada e na interpretação da situação presente.

 

É o que acontece na fobia dentária que é denominada como uma fobia especifica aos tratamentos dentários, habitualmente desencadeada por acontecimentos traumáticos que tendem a ter um desenvolvimento particularmente agudo.

Uma fobia especifica é caracterizada pela presença de medo acentuado e persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de um objecto ou situação especifica. A exposição ao estimulo fóbico provoca quase invariavelmente uma resposta ansiosa imediata. A pessoa reconhece que o medo é excessivo, no entanto não tem controlo sobre suas reacções. As situações fóbicas são evitadas com intensa ansiedade e mal-estar, interferindo significativamente com as suas rotinas normais e funcionamento diário. O evitamento é a consequência mais complicada pelo impacto que tem na vida das pessoas e na sua liberdade individual.

A fobia é acompanhada por pensamentos catastróficos ou de incompetência pessoal, aumento do estado de vigília, tensão muscular, palpitações cardíacas, tremor, inquietação, assim como uma variedade de desconfortos somáticos decorrentes da hiperactividade do sistema nervoso autónomo.

 

 

Como é que a Psicologia o pode ajudar?

 

EMDR para fobias

 

EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) foi desenvolvido por Francine Shapiro em 1989. É um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas através da estimulação bilateral do cérebro (ocular, auditiva ou por toque), que promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.

Quando surge uma situação traumática, pode ficar bloqueada no sistema nervoso com a recordação original, com os sons, os pensamentos, as emoções do passado e as sensações físicas. A terapia EMDR ajuda a desbloquear o sistema nervoso permitindo que o cérebro processe a experiencia traumática. É um processo semelhante ao que se passa quando sonhamos na chamada fase REM do sono, durante a qual movimentos oculares rápidos facilitam o processamento do material inconsciente.

O EMDR tem sido indicado nos últimos anos como tratamento para alguns problemas de ansiedade e várias fobias. Muitos casos têm demonstrado a sua eficácia em apenas duas ou três sessões no tratamento de fobias especificas com componente traumática. A vantagem desta técnica sobre a clássica Terapia Cognitivo Comportamental é a rapidez da sua acção e menor numero de sessões envolvidas.

O método EMDR é baseado na imaginação do estimulo fóbico ou exposição a este mesmo estimulo, acompanhado de movimentos oculares ou outros estímulos bilaterais, tendo uma forte componente cognitiva. Encoraja o paciente a focar-se nas suas sensações físicas e a imaginar a situação traumática. Esta abordagem permite que a pessoa identifique e separe as sensações afectivas do trauma das suas interpretações cognitivas. Desta forma a situação inicialmente perturbadora deixa de estar associada a emoções negativas, surgindo novas interpretações e levando a uma ausência de perturbação face ao estimulo fóbico, em poucas sessões.

 

A sua saúde oral não está perdida! Existe solução! O seu problema pode ser resolvido de forma rápida e duradoura.

  

Catarina de Castro Lopes

Responsável pelo Departamento de Psicologia da White