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Linha White

Um dente desvitalizado pode doer?

 

Esta é uma das questões mais frequentes relativamente aos tratamentos de desvitalização (Endodontia) e a resposta é Sim! Se houver persistência de carga bacteriana pode dar-se um novo episódio de dor com necessidade de se proceder ao retratamento  do dente para tentar eliminar ao máximo os microorganismos que levam a estas situações dolorosas.

 

Uma vez que se trata de um dente que já teve um tratamento prévio é importante ter em conta as seguintes considerações:

 

-       Avaliar bem a anatomia do dente, tentar perceber se foram localizadas possíveis alterações anatómicas do dente ou zonas que tenham ficado por tratar.

-       Retirar todos os materiais antigos que podem estar contaminados e estar na origem do novo quadro sintomático.

-       Preparar bem os canais radiculares (interior das raízes) de forma a se poder realizar uma correcta desinfecção com irrigantes próprios.

-       Selar bem esses mesmos canais radiculares de  de forma a prevenir futuras infecções. Este selamento é realizado com um material biocompativel que corresponde às zonas brancas que observamos nas radiografias.

-      É importante monitorizar o dente periodicamente para ver a evolução do tratamento.

 

Fica aqui um exemplo de um dente em que houve necessidade de fazer o retratamento;

 - Fig. 1: Tratamento inicial; Fig 2.  Radiografía  final do Retratamento

 

Descubra as diferenças! Em caso de dúvida não hesite em contactar-nos.

 

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 Fig.1: Tratamento Inicial

 

 

 

 

 

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Fig.2: Radiografía final do Retratamento.

 

 

Equipa White

Caso de recuperação de desgaste dentário extremo

Esta paciente surgiu na White com queixas generalizadas a nível oral... Dores articulares, sensibilidade dentária extrema, dificuldades mastigatórias, e uma estética muito desfavorável. 

 

Esta situação foi o resultado de muitos anos de bruxismo (ranger de dentes nocturno), e de alguma falta de cuidados com a dentição, nomeadamente consultas regulares de higiene oral.

 

 

O plano de tratamento proposto foi a realização de várias sessões de Higiene Oral, para remoção de todos os resíduos e placa bacteriana acumulados ao longo dos anos, e um aumento da dimensão dos dentes de forma progressiva e controlada, de forma a obter conforto articular e mastigatório.

 

Numa primeira fase foram realizadas algumas desvitalizações dos dentes mais sensíveis, reconstruídos os dentes com falsos cotos de laboratório, e colocadas coroas provisórias, com uma dimensão aproximada da pretendida. Estas coroas provisórias estiveram em função durante cerca de 5 meses, durante os quais se constatou uma excelente adaptação da doente à nova dimensão dentária.

 

Uma vez obtido o conforto articular e mastigatório, passámos então à aplicação de coroas definitivas em cerâmica, que permitem uma estética, função e resistência excelentes.

  

  

 

Foi ainda efectuada uma goteira de relaxamento (uma protecção de acrílico transparente), que permite obter uma protecção dos "novos" dentes, e simultaneamente relaxar a musculatura mastigatória, permitindo obter uma melhor durabilidade de todos os tratamentos. O protocolo de higiene oral seguido foi de 4 consultas anuais, nas quais para além da higienização detalhada de todos os tratamentos, é efectuada uma revisão geral a nível clínico e radiográfico, testando a oclusão (encaixe) dos dentes.

 

Equipa White

 

Necessidade de Endodontia após preparação de um dente para coroa:

Muitas vezes, em casos de reabilitação dentária complexa, existe a necessidade de gerir o espaço dos dentes no maxilar e como tal, temos que corrigir a sua posição ou inclinação para conseguirmos obter um resultado equilibrado. Em casos de reabilitações com alguns implantes, uma das formas de homogeneizar e regularizar a arcada dentária é com o recurso a coroas, não só nos implantes como também nos dentes adjacentes.

Quando preparamos um dente para coroa, no qual temos a necessidade de alterar a sua forma ou posição em boca, muitas vezes temos que fazer um preparo mais agressivo que pode comprometer a vitalidade do dente, dada a proximidade do preparo ao nervo. Nesses casos temos que proceder com o tratamento endodôntico (desvitalização) para evitar situações de dor e preservar o dente em boca prevenindo futuras infecções.

O caso clinico que apresentamos é demonstrativo dessa situação, por necessidade de ajustar o espaço da coroa, houve necessidade de um talhe mais invasivo e consequente desvitalização.

 

 

 

 Fig 1: Dente preparado para coroa, sendo que a estrutura central mais escura (radiolúcida) é o nervo e que com o preparo ficou quase exposto. Optamos por realizar o tratamento de desvitalização.

 

 

 

Fig 2: Para um correcto tratamento endodôntico é essencial limparmos todo o interior do dente, para tal utilizamos uns instrumentos, denominados por limas, visíveis nesta imagem.

O anel branco à volta do dente faz parte do isolamento absoluto, que é um dique de borracha preso por um grampo ao dente, que previne a contaminação no interior do canal, assim como permite utilizar todos os materiais e desinfectantes , de forma segura (visível na fotografia 1).

 

 

 Fotografía 1

 

 

 

 

  Fig 3. Depois de o dente estar preparado e correctamente desinfectado temos que preencher o seu interior de forma a prevenir  futuras  infecções. Para isso utilizamos cones de uma borracha biocompatível denominada Gutta-percha demonstrado nesta imagem.

 

 

 

 

Fig 4. Para finalizar o tratamento aquecemos o material de modo a garantir uma perfeita adaptação às paredes, assim como, colocamos um espigão de fibra de vidro para reforçar a estrutura e garantir um bom suporte à futura coroa.

 

 

 

 Fig 5. Neste Rx final, já conseguimos observar a reabilitação com coroas sobre o dente e os implantes com uma correcta distribuição dos espaços.

 

Nos nossos dias todos estes tratamentos são realizados de forma indolor e por profissionais com prática exclusiva nesta área com recurso a microscópio e todo o tipo de tecnologia que permita detectar quaisquer variações anatómicas.

O presente caso refere-se a um segundo pré-molar superior que normalmente tem apenas dois canais e que neste caso, observamos uma variação, pois conseguimos distinguir três canais.

 

 

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Uma nova visão sobre o tratamento endodôntico (desvitalização):

Uma das questões mais colocada é se um dente desvitalizado pode voltar a doer.  É uma questão pertinente, uma vez que se foi “desvitalizado” foi-lhe removido todo o conteúdo pulpar responsável pela sensibilidade do dente.
 

O grande inimigo nos tratamentos endodônticos são as bactérias que podem permanecer no interior do dente e originar posteriormente complicações, nomeadamente infecções secundarias com episódios de dor.
 

Para prevenir isto é essencial que os tratamentos endodônticos sejam realizados com isolamento absoluto, que consiste num dique de borracha preso ao dente por um anel metálico (grampo) que impede que haja contaminação no interior dos canais.

 

Fig.1: Imagem do dique de borracha colocado

 

Como principais vantagens, temos a segurança, não só por impedir a infiltração bacteriana como também, por facilitar todo o procedimento não só para o clínico como para o próprio paciente , uma vez que não há interferência da língua ou da saliva no dente em tratamento.

 

Outro factor chave que permite um maior controlo de todo o tratamento é o recurso a magnificação microscópica. Graças a isto o Médico consegue ver através do microscópio possíveis variações anatómicas ou obstruções que possam estar a dificultar a correta preparação e desinfecção do dente.

 

 

Fig.2: Imagem do microscópio óptico

 

Fig.3: Imagem obtida por magnificação microscópica, onde conseguimos diferenciar perfeitamente as três entradas dos canais radiculares onde é realizado o tratamento endodôntico.

 

Para a preparação do interior dos canais radiculares utilizam-se limas mecanizadas que permitem uma preparação mais rápida e homogénea, assim como, promovem uma maior eficiência de ação dos desinfectantes utilizados.

 

Com estes e outros cuidados é possível realizar este tipo de tratamentos com muito maior segurança possibilitando aumentar a taxa de sucesso e favorecendo o prognóstico destes dentes.

Tratamento de Desvitalização

Caso Clinico de um retratamento endodôntico (uma segunda desvitalização) de um  primeiro pré-molar inferior direito:

 

 Trata-se de um dente em que já tinha sido feito um primeiro tratamento de desvitalização mas  no qual não se conseguiu um correto preenchimento do interior da raiz. Quando isto acontece acabam por se formar pequenas infecções na ponta das raízes e como tal, a solução passa por retratar o dente, eliminando a carga bacteriana que existe no seu interior e preencher corretamente os canais radiculares, para que se consiga promover a regeneração óssea na zona da infecção.  

 

 

Fig.1-Imagem (radiografia) Inicial onde podemos ver destacada umaa sombra escura no final da raiz como sinal radiográfico da infecção

 

 

 

 

 

Fig.2-Imagem (Radiografia) Final onde podemos ver os canais radiculares devidamente preenchidos. Radiograficamente o material da desvitalização é opaco pelo que se distingue pela cor branca nas radiografias.

 

 

Como curiosidade, os pré-molares inferiores na sua grande maioria têm apenas um canal radicular, neste caso trata-se de uma variação anatómica em que podemos distinguir a presença de dois canais radiculares . Para a resolução destes casos realizamos o tratamento com o auxílio de microscópio que nos permite detectar este tipo de variações.

 

Estes tratamentos são realizamos numa única sessão com uma duração aproximada de 1h30 min.

 

 

Equipa White

 

 

Fissuras e Fracturas Dentárias

 

Apesar de se tratarem de estruturas extremamente duras, os dentes podem apresentar fissuras ou até mesmo fracturas, mesmo quando não existe fragilização da estrutura por cárie dentária ou outro motivo aparente. 

 

Fig.1: Esquema representativo do interior do dente

 

Como é que posso saber se tenho um dente fissurado?

 

Os dentes fissurados podem apresentar uma série de sintomas que podem ser: A dor durante a mastigação, que geralmente se manifesta no momento em que a força de mordida é aliviada, ou então: Dor quando o dente é exposto a temperaturas extremas.

Este tipo de sintomas são muitas vezes dificéis de observar pelo Médico Dentista, dificultando o diagnostico de qual o dente que está na origem do desconforto.

 

Porque é que um dente fissurado dói?

 

Para perceber  a causa da dor, é importante ter alguns conhecimentos base sobre a anatomia dos dentes. O dente é constituído por uma camada externa de revestimento mais dura denominada por esmalte dentário, uma camada subsequente constituída por pequenos túbulos hidratados conhecida por dentina e uma camada interna de tecido mole, onde se encontra a vascularização e enervação do dente e a que chamamos de polpa.

Quando existe uma fissura da parte mais externa, que abrange o esmalte e a dentina, a mastigação pode provocar  movimentação numa dada porção do dente que é transmitida até à polpa, podendo provocar irritação da mesma com manifestação de dor momentânea. A irritação da polpa pode repetir-se inúmeras vezes devido à mastigação, até chegar a um ponto em que esta deixa de conseguir recuperar o seu estado normal ficando sensível também às variações de temperatura. Com o tempo acabarão por surgir dores espontâneas e consequentemente  infecção do tecido pulpar.

 

Como devem ser tratados estes dentes?


O tratamento destes dentes depende da localização, extensão e profundidade da fissure.

 

Fissuras de Esmalte:


Como o próprio nome indica, são pequenas fissuras localizadas apenas na camada do esmalte. Estas fissuras são comuns no dente do adulto, não provocam qualquer sintomatologia , sendo quase imperceptíveis, é apenas visível uma linha muito fina. Não são motivo de preocupação. 

Quando as fissuras são mais profundas, abrangendo  outras camadas do dente, considera-se já como uma fractura dentária.

 

 

Fractura de cúspide:

 

Fig.2: Esquema representativo de fractura de uma cúspide

Quando há fragilização de uma cúspide (parte pontiaguda da superfície de mastigação do dente) pode ocorrer uma fractura dessa estrutura. Mesmo que não ocorra separação imediata da porção fracturada, esta terá que ser removida pelo dentista. Regra geral, quando se remove o fragmento, há um alívio da sintomatologia.

Este tipo de fracturas normalmente não afecta a polpa do dente e o tratamento passa por reconstruir a porção perdida. 

 

 

Dente Fracturado Verticalmente:

 

                             Fig.3     Dente não tratável        Dente com possibilidade de tratamento

 

 

Este tipo de fractura extende-se desde a superficie oclusal que mastiga em sentido vertical em direcção à raíz do dente. Não ocorre divisão do dente em dois segmentos separados. Muitas vezes, pela própria localização da fractura ocorre dano da polpa.

O tratamento pode ser o recobrimento de dente com uma coroa que irá promover a união dos segmentos. Nos casos em que existe comprometimento pulpar o tratamento também deve incluir a desvitalização do dente.

Existem alguns casos, em que as fracturas se extendem até à raíz, já a um nível ósseo e nestes casos a única opção terapêutica é a extracção do dente para prevenir futuras infecções.

 

 

Fractura Completa:

 

Fig.4: esquema representativo de uma fractura completa

Este tipo de situação clínica é normalmente o resultado do decorrer do tempo quando já existe uma fractura vertical. É a situação mais extrema em que ocorre mesmo a separação do dente em dois fragmentos.

A opção terapêutica nestes casos é a extracção do dente, salvo raras excepções em que a raiz não é atingida.

 

 

Depois de tratado, um dente fracturado fica completamente recuperado?

 

Ao contrário do que acontece com as fracturas osséas, as fracturas dentárias não cicatrizam e podem agravar-se, no caso de aumentarem de extensão e provocarem a perda do dente. A máxima protecção de um dente fracturado é a colocação de uma coroa mas que mesmo assim obriga à monitorização do dente ao longo do tempo para se controlar a evolução.

Regra geral, os dentes tratados mantêm-se assintomáticos e garantem uma mastigação normal, sem qualquer tipo de restrição.

 

 

O que podemos fazer para prevenir fracturas?


Apesar de ser uma situação difícil de prevenir, é possível adopter alguns comportamentos mais conservadores, como por exemplo:

-     Não ter o vício de morder ou roer objectos duros,

-     No caso de ranger os dentes durante a noite, utilizer uma goteira de relaxamento,

-     Usar dispositivos de protecção no caso de practicar desportos com risco de traumatismo aumentado.

 

Em caso de suspeita, consulte de imediato o seu Médico Dentista, uma vez que, a identificação precoce da fissura ou fractura favorece o prognóstico do tratamento e do dente.

 

 

 

Dr. Carlos Morais

(Departamento de Endodontia da Clínica White) 

Infecções em dentes já desvitalizados.

 

 O processo de desvitalização não seve só para a eliminação de dor dentária, tem também por objectivo desinfectar e preencher hermeticamente o interior das raízes dos dente (canais radiculares) de forma a prevenir futuras infecções.

Infelizmente,  existem alguns factores que podem comprometer o sucesso do tratamento, nomeadamente quando não se consegue preencher a totalidade do canal radicular por dificuldades anatómicas ou quando existe uma carga bacteriana altamente patogénica e difícil de debelar. Em qualquer um destes casos ocorre proliferação bacteriana que, como o dente é uma estrutura dura não têm por onde expandir e acabam por invadir o espaço ósseo circundante através do orifício apical na ponta da raíz por onde iniciamente se dava a comunicaçãoo vascular sensitiva.

 

Quando se inicia esta invasão bacteriana no osso adjacente a dente inicia-se uma resposta imunológica em que são activados os osteoclastos, que não são mais do que células defensivas que tentam eliminar o agente causal mas que também acabam por eliminar algum osso durante o processo de defesa. Este mecanismo de defesa com o tempo torna-se crónico e na maioria das vezes é assintomático.

Regra geral, estes casos são diagnosticados quando surge um episódio de dor ou então nas radiografias periódicas de controle.

 

O tratamento indicado é  refazer o tratamento de desvitalizaçãoo para corrigir qualquer defeito decorrente do primeiro tratamento reforçando ao máximo o processo de preparação  e de desinfecção do dente. Com isto pretendemos eliminar ao máximo os microorganismos que estão na origem deste quadro infeccioso e selar o interior do canal para que não volte a acontecer no futuro.

Depois de controlada a carga bacteriana no interior do canal, o sistema imunitário já conseguirá debelar o processo infeccioso que decorre fora da raíz e com o tempo acaba por formar-se novo osso, regenerando-se a zona afectada

 

 

 

Para exemplicar a situação acima descrita mostramos um caso clínico:

 

 

Fig.1 : Radiografía inicial

 

Nesta primeira radiografia conseguimos ver que existe uma situaçãoo infecciosa extensa associada a dois dentes desvitalizados. Radiograficamente distinguimos os dentes desvitalizados pelo interior branco na raíz, que corresponde ao material da desvitalização que e radiopaco.

A zona da infecção corresponde à zona escura que forma uma cincunferência que se inicia na ponta das raízes.

 

Dado isto, repetimos o tratamento de desvitalização (retratamento endodôntico) apostando na sua preparação e desinfecção para uma noma obturação (preenchimento) de forma a travar o processo infeccioso.

 

 

 

Fig 2: radiografia final do retratamento endodôntico.

 

Nesta segunda radiografia conseguimos observar o novo tratamento de desvitalização e em que continuamos a ver a imagem escura à volta das raízes correspondente à infecção. A partir deste momento recomenda-se que o paciente faça radiografias de controle para se ver a evolução da lesão e a regeneração do osso.

 

 

                                  

 

Fig.3:Rx de controle aos 6 meses                                 Fig.4:  Rx de controle a 1 ano

 

Nestas últimas radiografias ( Fig 3 e 4)podemos ver  a regeneração da lesão, notando-se nesta última que já quase não existe nenhuma circunferência escura à volta das raízes. Com o decorrer do tempo deverá desaparecer na totalidade.

 

Em alguns casos mais extremos, em que a perda é mais acentuada pode haver necessidade de se proceder a uma cirurgia apical (apicectomia) para correcção da zona com enxerto ósseo.   

 

 

 

Dr. Carlos Morais

(Departamento de Endodontia White Clinic)

 

ENDODONTIA - Parte 2/2

 

 

(Continuação do Post Anterior)

 

 

 

Sequência radiográfica de um tratamento endodôntico:

             

 

  

  Uma vez terminada a fase de limpeza do conteúdo pulpar, passamos à fase de preenchimento estanque desse espaço “vazio” que se criou dentro do dente. Esse preenchimento é efectuado com materiais biocompatíveis (não tóxicos para o organismo), que vão permitir a manutenção a longo prazo da estanquecidade do interior do dente.

 

 

 

Após finalização do tratamento endodôntico, resta reconstruir o dente, através da utilização de materiais de restauração como o amálgama dentário, a resina composta ou a cerâmica. É de realçar que um dente desvitalizado tem uma maior fragilidade do que um dente vivo, sobretudo devido ao facto de ter sido removida a polpa dentária, que ocupa uma parte importante da estrutura dentária, e de ter sido efectuada uma cavidade de acesso à polpa. É, igualmente, menos mineralizado do que um dente íntegro, devido à ausência da polpa, que permite uma remineralização constante do dente. Podemos dizer que um dente desvitalizado se assemelha a um ramo de árvore seco, mais “quebradiço” do que um ramo de árvore normal. Assim sendo, a reconstrução ideal é efectuada através da colocação de um espigão intraradicular em carbono e de uma coroa fixa cerâmica ou metalo-cerâmica, que não só protege o dente remanescente, como restabelece a estética e função do mesmo.

 

O prognóstico de um dente correctamente desvitalizado e reconstruído é extremamente favorável, e a sua manutenção é sempre preferível à extracção. Lembre-se: o que a Natureza cria, o Homem imita, mas nunca com a mesma perfeição. Assim, o seu próprio dente, desvitalizado ou não, é o melhor implante dentário que alguma vez poderá ter.

  

Abaixo observamos o resultado de um correcto tratamento endodôntico. Na primeira imagem observamos um dente com uma grande lesão periapical (a área escura à volta da raiz). Após o tratamento endodôntico, numa reavaliação após 6 meses, observa-se a completa regressão dessa mesma lesão (a área escura em torno da raiz desapareceu completamente).

 

 

 

  Todos os dentes cariados ou destruídos podem ser desvitalizados?

Não. Existem critérios básicos que devem ser cumpridos para optar pela desvitalização ao invés da extracção de um dente. Em algumas situações mais extremas, como uma fractura vertical da raiz ou cáries radiculares muito profundas, poderá não ser viável realizar a desvitalização, e poderemos ter de optar pela extracção do dente. Só poderemos desvitalizar dentes que permitam uma posterior reconstrução, o que deverá ser avaliado previamente ao tratamento.

  

Radiografias de alguns dentes “irrecuperáveis” do ponto de vista endodôntico:

          

 

    

Todos os dentes cariados devem ser desvitalizados?

Não. Tudo depende do grau de agressão à polpa dentária que se verificar. Cáries pouco profundas, que ainda se localizam a vários milímetros da polpa dentária podem não causar uma agressão irreversível e não “obrigar” a tratamento endodontico. Nestes casos realizamos uma restauração simples do dente (o caso das radiografias abaixo reproduzidas).

   

 

 

A desvitalização de um dente é um processo doloroso?

Não. Se forem seguidas as regras básicas de anestesia local e de endodontia, não existe qualquer razão para sentir dor durante o tratamento.

 

Uma correcta desvitalização é fácil de executar?

Depende do dente a tratar, do operador que a executar e dos materiais e condições com que o fizermos. Uma vez que trabalhamos no interior da raiz do dente, a visibilidade por vezes será bastante difícil (obrigando, em certos casos, a recorrer ao uso de microscópio). O trajecto dos canais radiculares é, também, muitas vezes tortuoso, com curvas e contracurvas, sendo difícil limpar todo o seu conteúdo até à ponta da raiz. Uma desvitalização correcta deverá preencher completamente todo o comprimento dos canais radiculares (que poderão chegar a ser 7, dependendo do dente em questão).

                           

 

 

 

Na imagem da esquerda observamos um tratamento endodôntico incompleto, sem o preenchimento de todo o comprimento dos canais. Na imagem da direita observamos o mesmo dente, após correcta desvitalização, com o completo preenchimento dos canais radiculares.

 

   

ENDODONTIA - Parte 1/2

 É a especialidade da Medicina Dentária que se dedica à prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças da polpa dentária (a parte “viva” do dente, que contém vasos e nervos), e das suas repercussões sobre os tecidos periodontais (tecidos que rodeiam o dente: osso alveolar, ligamento periodontal, cimento dentário e gengiva).

  

Compreende uma série de tratamentos que não se resumem somente à “desvitalização” convencional do dente, mas também a cirurgias endodônticas (nas quais se removem quistos e lesões que rodeiam a raiz do dente), pulpotomias e pulpectomias (executadas em dentes de leite), etc.

 

O tratamento endodôntico de um dente consiste na remoção e limpeza de todos os tecidos pulpares que existem dentro do dente, que compreendem vasos sanguíneos, fibras nervosas e, nalguns casos, linfáticos. Estes tecidos, que no fundo, dão a “vida” a um dente, têm diversas funções em saúde, como uma função de inervação, nutrição, protecção e secreção de diversas substâncias importantes para o dente, sendo constituídos por inúmeros tipos de células muito sensíveis a agressões físicas ou químicas.

 

O problema surge quando os tecidos pulpares são irreversivelmente afectados, geralmente devido à cárie dentária ou a traumatismos. Nesses casos, o tratamento endodôntico é uma solução e a única alternativa à extracção dentária.

  

 

      

Como é feito um tratamento endodôntico?

Após o diagnóstico (geralmente efectuado através de radiografias e de testes de sensibilidade, como o teste ao frio), e sob uma anestesia local adequada, realizamos uma pequena abertura na coroa do dente, que nos permite aceder aos tecidos pulpares, localizados no seu interior. Esta cavidade de acesso tem o nome de abertura coronária, e deverá ser suficientemente ampla para permitir o acesso à polpa com os instrumentos. Seguidamente, o dente a tratar deverá ser isolado do resto da cavidade oral, através da colocação de um dispositivo denominado dique de borracha. Este consiste numa pequena folha de látex, com um orifício onde ficará o dente a tratar, impedindo, por um lado, a entrada de saliva e de bactérias para o interior do dente que estamos a desinfectar, e, por outro, a passagem de líquidos de desinfecção ou de instrumentos para a cavidade oral do paciente. É um dispositivo essencial para se executar correctamente um tratamento endodôntico e cuja importância não deverá jamais ser menosprezada.

   

 

  

Com o dente isolado, e a cavidade de acesso aberta, poderemos então limpar todos os tecidos pulpares, utilizando para isso instrumentos endodônticos extremamente finos e maleáveis, denominados limas endodônticas. Estas limas permitem a remoção mecânica do conteúdo pulpar, e a remodelação e alargamento dos canais radiculares (canais muito finos existentes no interior das raízes dentárias, preenchidos pela polpa dentária). Juntamente com a acção mecânica das limas, o tratamento é complementado pela acção química de diversos líquidos desinfectantes bactericidas e fungicidas com os quais irrigamos os canais radiculares. 

 

 

 

(Fim da parte 1)

 

(Parte 2 será publicada a 27/1/12)

 

 

Dr. Carlos Morais - departamento de Endodontia da clínica White

O que é a Endodontia?

A Endodontia é a área da Medicina Dentária que se dedica à eliminação da totalidade do conteúdo pulpar do dente.

A polpa dentária é o tecido mais interno do dente, no qual estão inseridos o sistema nervoso e vascular que lhe conferem a sua vitalidade.

Em situações de cáries profundas ou traumatismos dentários, pode haver uma afectação da polpa. Como resposta a esta agressão a polpa defende-se criando uma inflamação (derivada do aumento do aporte sanguíneo para acção do sistema imunitário), que não tem por onde expandir, uma vez que, o dente é uma estrutura dura. Com isto cria-se a tão conhecida dor de dentes, que é uma dor muito forte, pulsátil e em que a única maneira de aliviar é procedendo com o tratamento endodôntico.

Com este tratamento conseguimos erradicar a dor pela diminuição da pressão e da inflamação, assim como, pela eliminação do agente infeccioso.

Para garantir o sucesso do tratamento temos que eliminar a totalidade da polpa existente tanto a nível da coroa do dente como também da(s) sua(s) raíz(es), ou seja, temos que promover a limpeza e conformação do sistema de canais radiculares que o constituem. Para este efeito temos que realizar primariamente um alargamento mecânico desses canais (com instrumentos próprios denominados por limas endodônticas para que seja possível utilizar de seguida irrigantes com poder desinfectante, conseguindo-se uma completa preparação. Depois de concluído este procedimento e sendo que, os dentes não podem ficar ocos, são preenchidos com uma borracha biocompatível (gutta-percha) que substitui a polpa e que previne futuras infecções.

Caso não se proceda com este tratamento, o dente apesar de deixar de doer, por falência (necrose) do complexo pulpar continua em situação de infecção, tornando-se num processo crónico com proliferação bacteriana que destruirá o osso subjacente até que no final se estabeleça um abcesso.

 

 

Dr. Carlos Morais

 

(Responsável pelo departamento de Endodontia da White)