Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linha White

Existem emoções negativas e positivas?

As emoções não são boas nem más, nem positivas ou negativas. Podem ser agradáveis ou desagradáveis mas são todas adaptativas, isto é, orientam-nos para a nossa sobrevivência.

Na nossa cultura e sociedade está de alguma forma implícito que sentir algumas emoções é mau. Não devemos mostrar-nos tristes e o choro deve ser evitado, existindo uma pressão social para estarmos sempre bem dispostos e sorridentes. Fomos educados a não expressar raiva e quanto ao medo é só para os mais fracos. Expressões como “Homem que é homem não chora” ou “Não tens motivos para estar triste” é o mesmo que dizer: “Não expresses os teus sentimentos”. A falta de permissão e apoio para sentir e expressar as emoções e o desconforto experienciado leva a que muitas pessoas as anulem ou neguem, em vez de as regularem e expressarem adequadamente.

 

Porque ficamos tristes, com raiva, com medo ou desesperados? Para que servem as emoções? Compreender os propósitos e as funções das emoções, pode ajudar-nos a entender como podemos ter “saúde” emocional e como mantê-la ou recuperá-la.

 

Tomemos como exemplo a tristeza, uma resposta a uma perda de algo ou de alguém, habitualmente relacionada a uma situação passada. Por que sentimos tristeza? Tente pensar nos resultados de um bom choro, ou da quietude e descanso que acompanham esta emoção. A maioria das pessoas, depois de um período de tristeza intenso, fica com uma sensação de alívio, de limpeza, de se terem desprendido de algo. Este é um dos propósitos desta emoção: ajudar-nos a deixar ir o que já perdemos, o que já acabou e abrir espaço para o crescimento, para novas pessoas ou novas “coisas”. A tristeza também nos predispõe a descansar, a recuperar as energias, da mesma forma que descansaríamos e nos recuperaríamos depois de uma lesão física. Se a expressarmos adequadamente, entregamos o passado ao passado e mais facilmente nos movimentamos para o presente, prontos e abertos para novas possibilidades. Assim, processar a tristeza é potencialmente reparador, não esquecendo também a sua função de despertar a empatia nos outros, provocar o cuidado, convidar ao consolo e à ajuda.

Agora imagine uma situação em que sentiu raiva, que se sentiu injustiçado ou enganado. Tente lembrar-se das sensações no seu corpo. Os punhos e os maxilares tendem a fechar-se, há uma tensão geral nos ombros, braços e pernas e o corpo fica mais quente. É a raiva, que nos faz “ferver” e mudar aquilo que acreditamos estar errado. Torna-nos mais fortes, mobiliza a nossa energia e cria em nós um impulso para a acção que visa superar um obstáculo. A sua expressão, adequada, tem como propósito defender os nossos direitos.

 

Examinemos o medo. Diferentemente da raiva e da tristeza, está habitualmente relacionado com o futuro. É uma espécie de aviso sobre a possibilidade de alguma ameaça. O medo prepara-nos para o perigo, real ou imaginado. Ficamos alerta para algo que está prestes a acontecer. É uma reacção de luta ou fuga que leva a modificações fisiológicas: os músculos ficam tensos (o que nos deixa prontos a lutar ou fugir), a respiração acelerada e superficial, os batimentos cardíacos aumentam, sentimos o frio no estômago e os olhos ficam abertos e alerta, o que nos deixa mais despertos e conscientes. Estas modificações fisicas preparam-nos para enfrentar o perigo, para detectá-lo adequadamente, para eliminá-lo ou para fugir. Este é o propósito do medo, no entanto é uma emoção desvalorizada socialmente. Tornou-se comum para muitos homens a tentativa de negar as reações naturais associadas a esta emoção (“um homem não deve ter medo”), resultando daí uma série de distorções (esconder o medo com outras emoções) e de conseqüências devastadoras (por exemplo, comportamentos inapropriados ou disfuncionais).

Quando o medo nos paralisa, incapacitando-nos para uma acção adequada, podemos estar perante traumas ou interferencias anteriores. Nestes casos, não só o medo, como qualquer outra emoção passa a ter um efeito desadaptativo e desorganizador sobre a personalidade.

 

As emoções têm funções cruciais para nossa sobrevivência. O corpo responde com reações fisiológicas por algum motivo. Se a raiva, não tivesse um propósito biológico, nós viveríamos sempre calmos. Se a tristeza não tivesse um propósito biológico, nós nunca derramaríamos uma lágrima.

 

Os exemplos anteriores foram lembrados para introduzir um princípio psicológico que me parece essencial: não existem emoções inúteis, prejudiciais ou negativas. Todas têm um propósito útil. Se forem negadas, suprimidas ou distorcidas, terão um efeito desastroso a curto ou a longo prazo sobre nós e sobre aqueles que nos rodeiam. A tristeza ou a raiva não processada adequadamente pode levar à depressão. Sentir tristeza é natural, faz parte da nossa biologia, a depressao é patologia. O mesmo acontece com o medo, se o negarmos corremos o risco de sofrermos de alguma perturbação de ansiedade.

O conceito de emoções negativas, tem um significado de inútil ou prejudicial, que se refere ao facto de certas emoções serem sentidas como desagradáveis. Mesmo estas que sentimos subjetivamente como desagradáveis (tristeza, medo, raiva, etc.) são úteis, têm uma função precisa e devem ser experienciadas e expressadas adequadamente para que sejam potencialmente reparadoras.


 

Pense nisto. Aceite as suas emoções e perceba as “mensagens” que o seu corpo lhe dá. Não só é licito sentir dor, raiva, medo ou tristeza, como é uma boa forma de prevenir o aparecimento de perturbações psicológicas.

Se sentir dificuldade em entrar em contacto com as suas emoções e expressá-las apropriadamente não hesite em procurar ajuda de psicoterapia.

 

Catarina de Castro Lopes

Directora Clinica de Psicologia da White

Enfrente o ano novo com optimismo!

Todos os dias nos deparamos com noticias ou comentários sobre a recessão económica. Tem-se tornado tema muito debatido, surgindo frequentemente em conversa com amigos, em reuniões de trabalho ou às refeições com a família. Seja onde for este assunto é o centro das atenções. A esta situação acresce ainda o desemprego e as dificuldades familiares que aumentam exponencialmente.

Como podemos manter o equilíbrio emocional durante este período?

 

1.  Foque-se naquilo que pode controlar

Aquilo em que nos focamos pode mudar radicalmente a forma como nos sentimos. Pode não ter controlo sobre a situação económica do país, mas com certeza terá sobre alguns aspectos da sua vida e inclusivé poderá ter sobre a sua própria situação económica. Se já fez tudo o que está ao seu alcance, então, será que vale a pena preocupar-se tanto com aquilo que não controla? 

 

2. Estabeleça prioridades

Comece por clarificar o que é realmente importante para si. Podemos escolher perceber que as pessoas de quem mais gostamos são mais valiosas do que algo que nos faz andar constantemente stressados e sobre o qual não temos controlo. Saiba apreciar aquilo que tem e perceba o que é mais importante na sua vida.

 

3. Partilhe as suas preocupações

A nossa família e amigos são muito importantes na nossa vida. São eles que nos dão sentido à vida e que nos prestam o apoio mais imediato em alturas de crise. Não se isole! Crie e desenvolva a sua rede de contactos. Participe em encontros, almoce com colegas de trabalho e procure antigos amigos da escola ou da faculdade. 

 

4. Deixe de se lamentar

Continuar a lamentar-se sobre os problemas económicos ou a comentar as más noticias vai melhorar a situação? Se chegou à conclusão que de nada adianta, então aproveite para fazer algumas actividades que possam estar ao seu alcance. Se perdeu o emprego envolva-se em acções que o façam sentir-se útil e melhor consigo mesmo. Procure verificar se existem algumas competências que precisa melhorar. Veja a sua situação como uma oportunidade e aproveite para aprender!

 

5. A situação irá restabelecer-se

A crise não será eterna... Como sabe a história irá repetir-se e a nossa economia vai recuperar, como em todas as crises. Depois da tempestade virá a bonança! E não se esqueça que não está sozinho, estamos todos no mesmo barco.

  

6. Veja os benefícios

Existem oportunidades em tempos de crise. Por exemplo, se for o caso de ter menos dinheiro, pode servir para perceber que consumia muitos produtos desnecessariamente.

 

7. Abandone o medo

De que lhe vale estar ansioso e aborrecido? Corre o risco de entrar num ciclo pessimista, inibindo a sua criatividade e deste modo qualquer solução que possa ser viável para resolver a sua situação económica. Quanto mais medo temos, menos nos atrevemos a tomar decisões e mais difícil será sairmos desta crise.

 

8. Mude o seu vocabulário

As palavras que usamos têm impacto naquilo que sentimos. Se disser a si mesmo que “está tudo perdido” com certeza terá sentimentos de desesperança, tristeza e frustração. Expressões como esta agravam ainda mais o nosso mal-estar, mantendo-nos focados no medo em vez de nos permitir pensar em soluções.

 

9. Escolha sentir-se bem!

Aceite a situação. Afinal que mais pode fazer? Atenção, que aceitar não significa resignar-se ou tornar-se vulnerável. Significa perceber que é na realidade a nossa situação actual. Porque não focar-se intencionalmente no que é importante para si, naquilo que o faz sentir bem, que lhe traz alegria e motivação? Estamos todos os dias rodeados de oportunidades para sermos felizes mas é preciso olharmos para elas. A escolha está nas suas mãos! Pode continuar a sentir medo, mas porque não escolher experienciar esperança e gratidão? Reconhecer que tem capacidade para viver a situação de crise de uma forma diferente, mais optimista, também pode ser uma opção.

Quando mudamos o significado de algo para nós, isto é, quando mudamos a nossa interpretação, mudamos as nossas emoções.

 

 

Desejo-lhe um novo ano de tranquilidade e bem-estar! Fique bem. 

 

Catarina de Castro Lopes 

Directora Clínica de Psicologia da White

Tema do Mês - Ano Novo, Vida Nova!

Dicas para o seu bem-estar

 

1. Faça exercício físico. Se não gosta ou não tem tempo, tente transformar as suas actividades quotidianas numa forma de se exercitar: vá a pé comprar o jornal, se utiliza transportes procure sair numa paragem mais distante de forma a andar um pouco mais ou use as escadas em vez do elevador.   Está provado que o exercício físico aumenta os níveis de endorfinas deixando-o mais bem disposto e animado, melhorando assim, o seu funcionamento cerebral.

 

2. Procure relaxar no seu dia-a-dia. Bastam apenas 10 ou 15 minutos. Tome um banho de imersão ou ouça musica relaxante.

 

3. Durma entre 7 a 8h por dia. É durante o sono que o cérebro integra as aprendizagens e processa as emoções, adquirindo desta forma maior energia e boa disposição para o dia seguinte.

 

4. Coma de uma forma saudável. Siga um padrão alimentar regular. Isto é, procure comer 3 refeições principais e 3 refeições secundárias (lanches) por dia, e não deixe passar mais de 3 horas entre elas.

 

5. Socialize regularmente. Procure ter qualidade de tempo com os seus amigos e familiares, uma vez que é através dos outros que nos integramos a nós próprios.

 

6. Procure fontes de prazer e bem-estar.  Sorria! Dê uma boas gargalhadas no seu dia-a-dia

 

7. Aprenda algo novo que lhe traga crescimento pessoal e ocupacional no futuro.  É importante sentirmo-nos úteis e sentirmos que contribuímos de alguma forma para a vida em sociedade.

 

8. Respeite as suas necessidades para que possa conviver em maior paz e harmonia com os outros.

 

9. Foque-se naquilo que quer e valoriza. Corra atrás do que deseja.

 

10. Cuide de si e da sua imagem. É muito importante gostar de se ver ao espelho. Sentir-se bem com a sua aparência física vai ajudá-lo a ter um dia mais bem sucedido.

 

Bom Ano Novo!

 

 

Catarina de Castro Lopes

Diretora Clínica de Psicologia na White